Selos do Aranha
A coleção de selos que levou marmanjos a comprar a revista infantil do Aranha
Tesoura em uma mão, gibi na outra. Muitos leitores estavam recortando revistas do Homem-Aranha nos anos 1970 incentivados pela Marvel. Não que a editora incentivasse a destruição de suas publicações; na verdade, ela estava interessada era no dinheiro proveniente de um possível aumento de vendas de Spidey Super Stories, o título mensal do Amigão da Vizinhança focado no público infantil. Com a ordem enfática de “recorte e colecione”, a editora incentivava os pequenos leitores a recortarem os selos que vinham impressos na revista.
Em meado dos anos 1970, o Aranha era conhecido não apenas por universitários e adolescentes, mas também pelas crianças graças à estreia do herói em The Electric Company, um programa infantil que vinha sendo exibido desde 1971. De cunho educativo e com muito humor, a atração televisiva era voltada à audiência de sete a dez anos e marcada por esquetes de humor que ajudavam crianças a aprender a ler. O Aranha passou a fazer parte do elenco em 1974 como protagonista do quadro Spidey Super Stories (algo como Super-Histórias do Aranha), em que uma versão live-action do herói encarava criminosos absurdos em situações estapafúrdias. A Marvel aproveitou a popularidade do programa e lançou a série em quadrinhos Spidey Super Stories.
Enquanto as crianças se divertiam com o Aranha em The Electric Company, os leitores mais velhos colecionavam os Marvel Value Stamps, uma série de 101 selos impressos na seção de cartas das séries de linha da editora. Com um novo selo lançado a cada mês, a coleção estava prevista para sair de 1974 a 1975, mas fez tanto sucesso que foi estendida com uma nova leva publicada entre 1975 e 1976.
Com essa segunda fase prestes a ser concluída, a Marvel, muito da malandra, criou uma nova coleção de selos, o Spidey Stamps (Selos do Aranha), exclusiva de Spidey Super Stories e que teve início em julho de 1976, um mês antes da conclusão da badalada Marvel Value Stamps. Foi uma maneira estratégica de a editora ampliar o público de Spidey Super Stories atraindo tanto crianças interessadas nas estranhas “figurinhas” como também leitores que podiam já ser velhos demais para aquela revista, mas não para ampliar a coleção de selos que iniciaram dois anos antes com a Marvel Value Stamps.
Selos do Aranha
O primeiro selo de Spidey Stamps mostra o astro da revista, o Homem-Aranha, vestindo a característica cartola azul, vermelha e branca do Tio Sam, o que se deve à coleção ter estreado na edição 17, que celebrava o bicentenário da independência dos Estados Unidos. Junto à figura do herói estava um texto que instigava o público: “Comece sua coleção com o primeiro selo da Spidey Super Stories”.

As edições seguintes traziam a ordem “Recorte e colecione: Spidey Stamps” e contavam com selos de algum personagem mostrado na trama principal da revista. A edição 18, por exemplo, trouxe o do Rei do Crime, criminoso enfrentado pelo herói naquele gibi; Spidey Super Stories 19 contou com um selo do vilão do mês, o Doutor Destino; a edição 39, lançada em 1979, trouxe o selo da Felina, heroína que uniu forças ao Aranha para enfrentar Thanos (na história em que o tirânico alienígena é mostrado pilotando seu famigerado helicóptero amarelo customizado). Até mesmo os vilões galhofeiros criados para a TV, como The Ringer e Human Top, tiveram seus rostos estampados.
A coleção Spidey Stamps contou com 39 selos e foi finalizada em 1981, quando o último (com o rosto do vilão reptiliano Stegron) foi lançado em Spidey Super Stories 55. Alguns meses depois, o título seria cancelado na edição 57, que trazia a data de março de 1982 na capa, e para a tristeza de crianças e marmanjos, nenhum selo na quarta capa.

Esta foi a edição 148 da newsletter SOC TUM POW e, com ela, trago a capa de mesmo número de algum gibi. A escolhida é a de The Brave and the Bold 148 (1979), que chega em clima de Natal… pelo menos, em clima de Natal em Gotham City, onde as coisas são mais tensas. A imagem é desenhada e finalizada por Jim Aparo, um dos artistas mais longevos e marcantes das HQs do Batman. Sua versão do Homem-Morcego marcou toda uma geração de leitores, que reconhecem facilmente o “Batman de Jim Aparo”. Acho impressionante seu talento em colocar tanta ação e tantos elementos em apenas uma porção da página – repare que toda a pancadaria e personagens estão concentrados entre o título da revista e o espaço acima das rodas do caminhão. Essa capa foi um grande presente natalino entregue aos leitores da época. (e um presente tardio para quem a conheceu anos depois).
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